Guerra dos Farrapos

Após a Independência do Brasil, os ideais liberais de muitos brasileiros chocaram-se com a concentração de poder pelo Imperador Dom Pedro I. Enquanto outros países da América tornaram-se repúblicas, após suas independências, o Brasil era governado por um monarca tido, por muitos, como absolutista.

Em 1831, o Imperador abdicou em favor de seu filho. Os anos seguintes foram conturbados no Brasil e eclodiram cinco grandes revoltas regionais: Malês (1835), Cabanagem (1835-1840), Farroupilha (1835-1845), Sabinada (1837-1838) e Balaiada (1838-1841). A Guerra dos Farrapos foi a mais violenta e duradoura desse período.

Em 1835, o liberal Antônio Diogo Feijó assumiu como regente uno do Brasil. Feijó renunciou, em 1837, e assumiu o conservador Pedro Araújo Lima.

No início do século 19, as Províncias do Rio da Prata entraram em guerra por independência, o que também envolveu a o Província Cisplatina. Esses conflitos só terminaram, em 1828, após um acordo entre o Brasil, Argentina e Uruguay. Durante esse período, os pecuaristas do Rio Grande do Sul saíram-se comercialmente fortalecidos e muitos gaúchos passaram também a sonhar com a independência. Entretanto, o governo imperial decidiu reduzir as tarifas alfandegárias para o charque argentino e uruguayo, provocando grande descontentamento no Rio Grande do Sul.

O ano de 1835 foi quente no Brasil. O poder executivo era instável e três revoluções irromperam naquele ano. Em janeiro foi deflagrada a Cabanagem, no Pará. No final do mesmo mês, eclodiu a Revolta os Malês, em Salvador, liderada por escravos. Em setembro foi detonada a Guerra dos Farrapos ou a Revolução Farroupilha, cheia de reviravoltas, com interesses políticos e econômicos.

O Rio Grande do Sul era essencialmente uma região pobre, por isso o nome farrapos. As principais atividades econômicas eram o tropeirismo, a pecuária e o comércio de seus seus subprodutos.

Em especial, tinha a questão dos impostos sobre o charque, um tipo de carne salgada e seca ao sol, que era principalmente destinada à alimentação de tropeiros e escravos. Embora produzido em todo o Brasil (no Nordeste era chamado de carne de sol), o charque tinha grande participação na economia gaúcha.

A Província do Rio Grande do Sul estava politicamente dividida entre os chamados farrapos (de tendência liberal) e os caramurus (de tendência conservadora).

Os farrapos ou farroupilhas eram os campesinos e estancieiros, muitos latifundiários escravagistas ou caudilhos. Não havia um ideal comum entre eles, mas um descontentamento geral com os caminhos do Império, especialmente relativos aos governos no Sul do Brasil e suas consequências econômicas. Foram influenciados pelas repúblicas independentes da antiga América Espanhola.

Os caramurus eram uma referência a Caramuru, o Patriarca do Brasil, que habitou o Recôncavo Baiano nas primeiras décadas do século 16. Caramuru era um nobre da Casa Real de D. João III e dele descendeu os primeiros nobres brasileiros, caboclos, que habitavam a Casa da Torre (hoje, Praia do Forte). Antes e depois da fundação de São Vicente, a Bahia de Caramuru foi o principal porto do Brasil, desde os anos 1520 até cerca de 1870. Embora poderoso, sua vida na Bahia era despojada de luxo. A referência aos caramurus vem do século 17, da obra do poeta baiano Gregorio de Mattos, autor de poemas como Aos caramurus da Bahia e Aos principais da Bahia chamados os caramurus. No Rio de Janeiro, o Partido Restaurador, que buscava o retorno de D. Pedro I, era chamado de "partido dos caramurus". Lá, também era publicado o jornal O Caramuru por simpatizantes daquele partido, que perdeu o sentido de sua existência com a morte de D. Pedro I, em 1834. Mas, no Rio Grande do Sul, os caramurus eram aqueles que defendiam o Império.

Os baianos governavam o Rio Grande do Sul, desde 1831. Foram três governadores baianos, nessa época: José Carlos P. de Almeida Torres, José Mariani e Manuel Antônio Galvão. Do lado dos revolucionários, os baianos tiveram papel importante na Guerra dos Farrapos. Por exemplo, foram responsáveis pela fuga de Bento Gonçalves do Forte São Marcelo, em Salvador, e lideraram a tomada da Fortaleza de Araçatuba, em Santa Catarina. De acordo com o historiador gaúcho Euclides Torres, autor de Farrapos & Sabinos (2011), a participação dos baianos na Revolução Farroupilha foi ampla, duradoura e importante.

Em 1834, Bento Gonçalves, um respeitado militar gaúcho, era o comandante da Guarda Nacional do Rio Grande do Sul, quando foi denunciado por desobediência e apoio aos uruguaios que defendiam a separação do Rio Grande do Sul. Bento Gonçalves tinha fazendas de gado tanto no Uruguay, quanto no Rio Grande do Sul. Foi julgado inocente.

Bento Gonçalves indicou, ao Regente Feijó, o gaúcho Antonio Rodrigues Fernandes Braga para substituir o baiano José Mariani, um dos caramurus, no cargo de Presidente da Província, no que foi atendido. Braga assumiu em 2 de maio de 1834, mas seu governo era impopular, principalmente pela criação de impostos.

Em abril de 1835, Bento Gonçalves assumiu como deputado da primeira Assembleia Legislativa da Província. Foi acusado de tentar um golpe separatista, com outros deputados. Bento Gonçalves e Bento Manoel Ribeiro, outro importante personagem da Revolução, perderam seus postos militares.

Na noite de 19 de setembro de 1835, Onofre Pires (1799-1844) comandou os farrapos no combate da Ponte da Azenha. Em 20 de setembro, Bento Gonçalves comandou a tomada de Porto Alegre, dando início à Revolução Farroupilha. Nas semanas seguintes, o movimento rebelde alastrou-se por várias partes da Província, cujo Presidente, indicado, no ano anterior, pelo próprio Bento Gonçalves, fugiu para a Cidade do Rio Grande, onde estabeleceu a sede do governo da Província e bloqueou a entrada da Lagoa dos Patos.

Em Porto Alegre, entretanto, a Assembleia convidou o 3° vice-presidente Marciano José Pereira Ribeiro para assumir interinamente, em 21 de setembro, o governo da Província, que ficou, assim, com dois governos: um no Rio Grande, outro em Porto Alegre.

Em 25 de setembro, Bento Gonçalves escreveu ao Regente Feijó, solicitando a nomeação de um novo Presidente da Província. Aqui fica claro que a tomada de Porto Alegre não era, inicialmente, parte de um plano separatista, mas sim um movimento que buscava a reorganização política da Província.

Bento Gonçalves seguiu, então, com forças farroupilhas, para o Rio Grande, onde forçou o Presidente Braga a fugir para o Rio de Janeiro, em 23 de outubro.

As tropas do Império já estavam combatendo no Pará e o Regente Feijó demorou para enviar forças ao Sul.

Para a presidência da Província foi nomeado José de Araújo Ribeiro, primo de Bento Gonçalves, que, então, deu a Revolução como encerrada.

Entretanto, Araújo Ribeiro não assumiu a Presidência em Porto Alegre e seguiu para Rio Grande, onde se encontrou com o comandante farroupilha Bento Manoel Ribeiro. Esses dois uniram-se. Bento Manoel, de vira-casaca para o lado monarquista. No Rio Grande, Araújo Ribeiro assumiu a Presidência da Província, que voltou a ter dois presidentes. Pereira Ribeiro ficou como presidente da Província, em Porto Alegre, até 16 de fevereiro de 1836.

Num gesto de conciliação, Bento Gonçalves convidou Araújo Ribeiro para assumir a Presidência, em Porto Alegre. Mas Bento Manoel marchou para reconquistar Porto Alegre, comandando as forças monarquistas. O resultado foram mais nove anos de guerra.

Porto Alegre foi retomada pelos imperiais, em 15 de junho de 1836, e o presidente interino Marciano Ribeiro foi preso. Nos anos seguintes, Porto Alegre sofreu três cercos dos farroupilhas, até 1840, mas os imperiais continuaram no controle a Cidade.

A Vila de Piratini estava ocupada pelos farrapos, desde 8 de outubro de 1835. O coronel Souza Netto havia chegado em Piratini, em 12 de dezembro de 1835.

Em 11 de setembro de 1836, após a vitória na Batalha do Seival, Antônio de Sousa Netto proclamou a República Rio-Grandense, na Vila de Piratini (Villa de Piratini). A Câmara Municipal, sob a presidência de Vicente Lucas de Oliveira, aderiu à República, em 5 de novembro, denominando-a Estado Rio Grandense. Definiu-se que a nova República poderia unir-se, em uma federação, a outras províncias brasileiras que adotassem o mesmo regime. Foi eleito um governo republicano com Bento Gonçalves indicado para presidente. José Gomes de Vasconcellos Jardim assumiu interinamente a presidência. Em 10 de novembro de 1836, Piratini foi definida como a capital do novo Estado.

Bento Gonçalves estava em Viamão, em cerco a Porto Alegre, quando recebeu as notícias de Piratini. Movimentou suas tropas para atravessar o Rio Jacuí. Em 4 de outubro de 1836, no combate da ilha fluvial de Fanfa, Bento Gonçalves foi derrotado pelas forças imperiais e preso junto com Onofre Pires, Pedro Boticário, Corte Real e Lívio Zambeccari. Foram enviados para a Fortaleza de Santa Cruz, Rio de Janeiro. Bento Gonçalves e Pedro Boticário foram transferidos para a Fortaleza da Lage, também no Rio de Janeiro, após uma tentativa frustrada de fuga.

O italiano Giuseppe Garibaldi estava exilado no Rio de Janeiro, ficou sabendo da prisão do também italiano Tito Lívio Zambeccari, na Fortaleza de Santa Cruz e decidiu visitá-lo. De posse de uma carta de corso para aprisionar embarcações imperiais dada por Bento Gonçalves, Garibaldi e seu amigo Luigi Rossetti deixaram a Baía de Guanabara, em 7 de maio de 1837, na embarcação Mazzini, segundo Salvatore Candido (Giuseppe Garibaldi Corsário Rio-Grandense, 1992). Na prática, eles atuaram como piratas no litoral meridional brasileiro. Em 1839, Garibaldi participou da expedição farroupilha a Santa Catarina.

Em março de 1837, Onofre Pires e o capitão José de Almeida Corte Real fugiram da Fortaleza de Santa Cruz.

Em 9 de agosto de 1837, um aviso reservado do baiano Francisco Montezuma, então Ministro da Justiça, solicitou o embarque de Bento Gonçalves para a Bahia, onde foi preso no Forte São Marcelo. A Maçonaria baiana planejou e realizou a fuga de Bento Gonçalves em 10 de setembro do mesmo ano (veja detalhes no quadro vermelho acima). Bento Gonçalves retornou ao Rio Grande do Sul acompanhado do baiano Francisco José da Rocha. Uniu-se aos farroupilhas, que sitiavam Porto Alegre, em 10 de novembro de 1837.

Após fugir do Forte São Marcelo, na Bahia, Bento Gonçalves chegou em Piratini, em 20 de novembro de 1837, e assumiu o governo da República Rio-Grandense, em 16 de dezembro.

Desde a retomada de Porto Alegre, em 1836, as principais vias fluviais e portos do Rio Grande do Sul eram controlados pelo Império do Brasil. Os farroupilhas decidiram, então, avançar para Santa Catarina, em busca de uma saída para o mar. Chegaram em Lages, em 1838, e proclamaram, em Laguna, a República Juliana, em julho de 1839. Em setembro, revolucionários baianos, que haviam participara da Sabinada, lideraram um levante na Fortaleza de Araçatuba, em Santa Catarina, e aderiram à Revolução Farroupilha.

Em 15 de novembro do mesmo ano, Laguna foi reconquistada pelo Império e a efêmera República foi extinta.

Em setembro de 1838, iniciou-se a impressão do jornal O Povo, meio de comunicação oficial da nova República, em Piratini. O primeiro editor foi o italiano Luigi Rossetti, que havia atuado como corsário, junto com Garibaldi. O Povo foi publicado até 1840.

Em 14 de fevereiro de 1839, a capital do Estado Rio Grandense foi transferida para Caçapava. Em março de 1840, Caçapava foi atacada pelos imperiais, destruíram a tipografia e o arsenal. Em 15 de julho de 1842, foi transferida para Alegrete. O jornal O Americano foi lançado, em 24 setembro, para a propaganda oficial farroupilha, substituindo O Povo. Em dezembro de 1842, foi instalada a Assembleia Constituinte da República Rio-Grandense.

Em 9 de novembro de 1842, Luís Alves de Lima e Silva, então, o Barão de Caxias, assumiu o Governo do Rio Grande do Sul. Caxias buscou entendimentos com os republicanos para um acordo de paz.

Em 4 de maio de 1843, a capital da República Rio-Grandense retornou para Piratini.

Em 27 de fevereiro de 1844, após acusações ofensivas de Onofre Pires a Bento Gonçalves, os dois enfrentaram-se, em um duelo, em Santana do Livramento. Onofre foi atingido no ombro e faleceu dias depois devido à infecção do ferimento. Bento Gonçalves retirou-se da Revolução. David Canabarro (1796-1867) assumiu o comando dos farrapos e continuou a guerra com táticas de guerrilha.

Em 14 de novembro de 1844, as companhias de lanceiros negros gaúchos, que lutavam pela Revolução, estavam acampadas no Cerro de Porongos (no atual Município de Pinheiro Machado). Foram surpreendidas e massacradas pelas tropas imperiais, comandadas pelo coronel Francisco Pedro de Abreu. A maioria desses lanceiros era de escravos com promessa de liberdade, pelos líderes da Revolução. Alguns autores defendem que os lanceiros foram desarmados no dia anterior, a mando de David Canabarro, para facilitar a vitória dos imperiais e apressar a paz.

Caxias negociou uma rendição. A Paz de Ponche Verde foi celebrada em 1º de março de 1845. Pelo acordo, os farrapos foram anistiados. Os oficiais farroupilhas, que desejassem, seriam incorporados ao exército imperial. Além disso, o Império assumiria a dívida pública do governo republicano e aplicaria uma sobretaxa no charque importado. Nem todos os pontos do acordo foram cumpridos, por exemplo, os escravos que lutaram do lado da Revolução foram declarados livres, mas muitos foram vendidos no Rio de Janeiro, como escravos.

Foi o fim da Guerra dos Farrapos e, no local, foi erguido posteriormente o Obelisco da Paz, no atual Município de Dom Pedrito.

Bento Gonçalves abandonou a vida pública. Passou os dois anos seguintes em sua estância, no Cristal e morreu, em 18 de julho de 1847, quando retornava de uma visita a sua terra Natal.

Piratini havia sido elevada à condição de cidade, pelos republicanos, em 6 de março de 1836. Em primeiro de março de 1845, logo após o acordo de paz, Piratini retornou à condição de vila, por ato do Governo Imperial. Nas décadas seguintes do Império, as referências à Revolução Farroupilha foram caladas. Somente no final do século 19, os ideais republicanos dos gaúchos foram redimidos, então, nova revolução, a Federalista (1893-1895).

Continuação:

Rio Grande do Sul no Século 19

Revolução Federalista

Rio Grande do Sul no Século 20

 

Guerra dos Farrapos

 

Mapa Província

 

Rio Grande do Sul

 

O gaúcho Bento Gonçalves da Silva (1788-1847) em tela de G. Litran, acervo do Museu Júlio de Castilhos.

Bento Gonçalves nasceu em Triunfo, Rio Grande do Sul, filho de um alferes. Seguiu a carreira militar e integrou as tropas portuguesas na Primeira Campanha Cisplatina (1811-1812). Em 1812, estabeleceu-se em Serro Largo, atual Uruguay, como comerciante. Participou da Segunda Campanha Cisplatina (1816-1821) e chegou ao posto de coronel, em 1828. Foi nomeado, por D. Pedro I, comandante do Quarto Regimento de Cavalaria, em Jaguarão. Em 1832, foi indicado para comandante da Guarda Nacional do Rio Grande do Sul. Em 1835, foi líder na Guerra dos Farrapos e tornou-se um dos mais memoráveis e respeitados homens na História do Brasil.

 

Paz Farroupilha

 

Porto Alegre 1839

 

Farroupilha

 

Jornal Farroupilha

 

Rio Grande

 

Republica Piratini

 

Gaucho

 

A Maçonaria Baiana e a Fuga de Bento Gonçalves

Acredita-se que, desde o final do século 18, a Maçonaria influenciou movimentos sociais no Brasil, como possivelmente no caso da Conjuração Baiana. No século 19, muitas personalidades ilustres fizeram parte dela, como D. Pedro I, José Bonifácio, Cypriano Barata e o próprio Bento Gonçalves. Entretanto, a Maçonaria era condenada pela Igreja Católica.

Em 1803, a Maçonaria baiana já havia ajudado na fuga do inglês Thomas Lindley, aprisionado no Forte do Barbalho, em Salvador.

Sabe-se, por textos da Maçonaria baiana, que os maçons baianos planejaram a fuga de Bento Gonçalves. Dela participou, por exemplo, o jornalista e revolucionário baiano Cypriano Barata, um dos líderes da Conjuração Baiana e da Revolução Pernambucana, de 1817. A fuga também foi relatada por Manoel Gomes Pereira, em 1840, em busca de anistia. Ele havia financiado a fuga.

Em 1837, o Ministro da Justiça era o baiano Francisco Gê Acayaba de Montezuma, que também era maçom e ordenou a transferência de Bento Gonçalves do Rio de Janeiro para a Bahia. Foi um aviso reservado, de 9 de agosto daquele ano, ao Chefe de Polícia Tristão Pio dos Santos para fazer embarcar no dia 11 seguinte, no Brigue Constança, o preso Bento Gonçalves da Silva (documento DL1126.37 do IHGB).

O Brigue Constança chegou em Salvador, em 26 de agosto, e Bento Gonçalves foi levado para o Forte São Marcelo. O comandante desse Forte, Manoel Vieira Machado, também era um maçom baiano.

Após 15 dias preso no Forte do Mar, Bento Gonçalves fugiu na manhã de 10 de setembro de 1837. A pretexto de banhar-se, nadou até um barco que o esperava e o recolheu. Em seguida, refugiou-se, por cerca de um mês, em Itaparica, na propriedade do maçom Manoel Joaquim Tupinambá.

Outro maçom baiano, Francisco José da Rocha, acompanhou Bento Gonçalves até o Rio Grande do Sul. Lá, Rocha foi promovido a tenente-coronel dos farroupilhas e comandante do 2º Batalhão de Caçadores.

Montezuma deixou o Ministério nove dias após a fuga de Bento Gonçalves. Francisco de Souza Paraíso, simpatizante republicano, deixou a presidência da Bahia pouco tempo depois. O então comandante do Forte Manoel Vieira Machado e o Alferes Domingos de Gusmão Vianna foram condenados e presos pela fuga de Bento Gonçalves.

Em novembro de 1837, a Bahia foi palco de mais um movimento por autonomia política: a Sabinada, na qual participaram vários mentores da fuga de Bento Gonçalves. Antes, em 1832, houve o movimento republicano do Guanais, no Recôncavo Baiano.

 

O Americano, jornal oficial da República Rio-Grandense, lançado em Alegrete, em 24 de setembro de 1842, substituindo O Povo.

 

Sede do governo da República Rio-Grandense, em Piratini (foto cerca dos anos 1920). O prédio, tombado pelo Iphan, ainda existe. Foi construído, em 1826, e abriga um museu municipal.

Piratini foi fundado como um pequeno povoado de açorianos, em 1789. Nas décadas seguintes à Revolução, Piratini não recebeu qualquer regalia do Governo Imperial. Entrou no século 20 ainda como vila.

 

Um lanceiro negro, pintura do artista uruguayo Juan Manuel Blanes (1830-1901).

Os lanceiros negros lutaram ao lado dos portugueses na invasão espanhola (1763-1776) e foram bravos guerreiros na Revolução Farroupilha. De acordo com Hasse e Kolling (Lanceiros Negros, 2006), os lanceiros negros gaúchos poderiam ter sido traídos por Canabarro, resultando no massacre de Porongos, pelas forças de Caxias, em 14 de novembro de 1844.

Desde 2004, planeja-se construir um memorial no Rio Grande do Sul, em homenagem a esses mártires gaúchos.

No Brasil, a arte de guerrear com lanças, em cavalos, também era dominada pelos valentes índios guaicurus, que habitavam o Centro-Oeste.

 

O Obelisco da Paz, em Pancho Verde, no atual Município de Dom Pedrito. Foi erguido pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul e Governo do Estado, em 1945, ano do centenário da Paz.

 

Salvador nos anos 1820 e o Forte São Marcelo, o Forte do Mar, por Friedrich Salathé. A Capital Baiana entrou no século 19 como a maior cidade do Brasil. A Bahia era a capitania mais rica. Foi ultrapassada pelo Rio de Janeiro, após a chegada da Família Real.

Em 1837, Bento Gonçalves foi aprisionado no Forte São Marcelo. Escapou pela ação da Maçonaria baiana. Ele também era um maçom.

 

Bahia

 

História

 

 

 

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Uma das batalhas da Guerra dos Farrapos, em tela de J. Wasth Rodrigues (1937), original na Pinacoteca Municipal de São Paulo.

 

(1835 - 1845)

 

 

Rio Grande do Sul

 

Por Jonildo Bacelar

 

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